DECADÊNCIA E DECLÍNIO DO IMPÉRIO ROMANO

Várias causas levaram ao declínio e fim do Império Romano, que por séculos a fio representou um importante centro de força e poder no mundo.

Trataremos aqui da chamada “queda do ImpérioRomano”, que refere-se mais especificadamente ao fim do Império Romano Ocidental, já que tempos antes da queda, os territórios romanos teriam sido divididos em uma porção Ocidental e outra Oriental. Enfim, o que aconteceu para que o Império Romano fosse dividido?

Para entender voltaremos ao século III, marcado por uma forte crise econômica, que acabou por reformular toda a vida política daquele povo. Para tentar organizar uma situação caótica, que acabou por enfraquecer o império, Dioclesiano, em 293,  instaurou um novo modelo de governo chamado Tetrárquia.

E o que foi a Tetrárquia???

A tetrárquia era um sistema de governo no qual dividia-se o poder entre quatro pessoas, porém não era dividido de forma igualitária.  O poder passava a ser dividido entre dois “Augustus”, mais graduados e de maior relevância e poder e dois “Césares”, com menor poder mas com importantes funções, inclusive nas questões militares.

Essa divisão, que a princípio era somente política, acabou por dividir também o território. Uma outra capital, além de Roma, foi criada na parte oriental do império recebendo o nome de Bizâncio. As consequências dessa tranformação se tornaram claras após a abdicação de Dioclesiano em 305. A partir daí o que podemos observar é um desequilibrio muito forte, com crises internas que colocavam os chefes do Império uns contra os outros, em uma situação caótica que se reestabelece apenas em 324, quando Constantino, após uma série de lutas, se torna o único imperador.

Imperador Constantino, o grande

Constantino fez importantes reformas no setor militar tentando resguardar o império, mas sem pretensões de expandi-lo. A capital oriental recebeu, em homenagem ao imperador, o nome de Constantinopla.

O feito mais importante de Constantino é que ele se tornou o primeiro imperador convertido ao cristianismo. Muitos historiadores questionam a validade da justificativa dada por Constantino para a sua conversão. O imperador afirma ter sentido uma inspiração divina que acabou por levá-lo a uma vitória em uma batalha. Mas o que se sabe é que muitas outras questões eram levadas em conta por ele, como questões territoriais, as transformações políticas, além da força que o cristianismo atuava na vida da pequena parcela da população convertida.

O cristianismo se tornou a religião oficial em 380 com o imperador Teodósio I. Depois das dificuldades do século III, vários imperadores procuraram centralizar mais o Estado, obter um maior controle dos cidadãos para que deste modo fosse mais fácil mobilizar recursos humanos e financeiros para defender o fragilizado império, e unificá-lo em torno de uma ideologia. Com Teodósio o cristianismo tornou-se a religião a obter esse domínio ideológico.

Mas a queda do império não se resumiu a questão política e  religiosa…

Sabemos que o trabalho escravo era um dos pilares da riqueza de Roma, a maioria deles eram prisioneiros de guerra. Ocorre, no entanto, que desde o final do século II, as guerras de conquistas praticamente cessaram, fato que diminuiu muito o número de escravos à venda. Com isso, o preço deles foi ficando cada vez mais alto. Essa crise afetou duramente a agricultura e o artesanato, setores que dependiam da mão de obra escrava para produzir em grande quantidade, pois visavam à exportação. De forma que, impossibilitou a produção de gêneros destinados à exportação. Roma passou a gastar as riquezas, acumuladas nas guerras de conquista, pagando os produtos que importava, como cereais, armas e jóias.

À medida que o braço escravo foi se tornando cada vez mais escasso e caro, os proprietários começaram a arrendar partes das suas terras a trabalhadores livres denominados colonos. Estes eram, geralmente, elementos da plebe urbana, ex-escravos e camponeses empobrecidos que buscavam a proteção dos senhores das grandes propriedades rurais denominadas vilas. A partir do momento em que os colonos ganhavam o direito de cultivar a terra, eram obrigados a ceder parte de sua colheita ao senhor e a trabalhar, gratuitamente, alguns dias da semana nas plantações do senhorio. Este novo sistema de trabalho foi denominado de colonato. A crise do escravismo e o advento do colonato resultaram na diminuição da produção e no declínio do comércio. O que resultou no agravamento da crise.

Mapa das dimensões territoriais do império ao longo do tempo...

O exército também é outro ponto importante a ser analisado. No princípio do século V, a maioria do exército de Roma era ainda constituída por romanos. À medida que os bárbaros foram entrando pelo império, começou-se a fazer acordos em que eles deveriam fixar-se num determinado território, recebendo terras e, em troca, ficando a serviço do imperador para lutar contra seus inimigos. Portanto, essa situação de bárbaros a serviço de Roma já era comum.

No entanto, o recrutamento destes, costumava ser feito por indivíduos treinados, que eram ensinados a falar latim e equipados por oficiais romanos, tornando-se romanos indistinguíveis na geração seguinte; na nova situação, eles vinham em enormes grupos com seus próprios líderes. A consequência disso foi que as tribos, progressivamente, emanciparam-se da tutela romana e formando seus próprios reinos.

Com relação às invasões, é importante notar que a região europeia do império passou a ser ocupada por povos nômades, de diferentes origens e em alguns casos, que realizavam um processo de migração, ou seja, sem a utilização de guerra contra os romanos. Vários desses povos foram considerados aliados de Roma.

O último imperador Rómulo Augusto conquistou o poder através de um duro golpe traçado por seu pai  o general romano Flávio Orestes (que possuia origem bárbara). Imposto por seu pai que depôs o imperador legítimo, Júlio Nepos, viu-se impotente frente a um império em crise.

Moeda com imagem de Rómulo Augusto

A data de deposição de Rômulo Augusto pelo bárbaro Odoacro (4 de setembro de 476), na cidade de Ravena, é tradicionalmente conhecida como o fim do Império Romano do Ocidente e consecutivamente o fim da Idade Antiga.

Quando se fala  que o império se desmoronou, existe a tendência de se esquecer que o Império Romano do Oriente, fortemente cristianizado e urbano, ainda existiu mais mil anos, embora em declínio territorial, enquanto que a metade ocidental pagã e menos urbanizada é que foi conquistada pelos bárbaros. O Império Bizantino, como ficou conhecida a parte oriental, resistiu até a tomada da cidade de Constantinopla, em 1453, pelos turco-otomanos.

Desenvolvimento do Império Bizantino

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