LENDO A HISTÓRIA: Eckhout e os “selvagens” do Brasil

A sessão “Lendo a História” tem por objetivo fazer leituras historigráficas a partir de documentos. Esses documentos podem ser imagens, textos, músicas, relatos, etc… Nesse artigo vamos até o Brasil colonial, mais precisamente nos domínios holandeses no Nordeste brasileiro.

O contexto da invasão holandesa no Brasil era o seguinte: as coroas portuguesa e espanhola haviam se unido na famigerada União Ibérica. Os domínios do então monarca Felipe II atingiram proporções gigantescas que, aliadas a uma situação já precária da administração central e colonial, provocaram inúmeras dificuldades. A Holanda, participante ativa no refino, comércio e transporte do açúcar produzido no Brasil, tem oportunidade de tomar posse de algumas possessões portuguesas, agora, também espanholas (como Pernambuco e postos de tráfico negreiro na África). Essas invasões interferiram e muito no curso histórico do Brasil e do mundo colonial como um todo.

Maurício de Nassau foi o enviado holandês para administrar e governar as novas possessões. Ele foi responsável, dentre outras coisas, por missões artísticas que retratariam o Brasil não só para os holandeses, mas para a Europa.

Um dos artistas que foram trazidos na comitiva do príncipe Maurício de Nassau foi Albert Eckhout. Este artista retratou a natureza e os homens das terras americanas em que aportara. Vamos a algumas das suas obras.

Este é o índio tapuia representado por Eckhout. Reparem nos seus pés descalços, todas as armas que possui e a sua nudez. Todos esses elementos são características "selvagens" do nosso amável modelo.
Essa nossa modelo escolhida a dedo por Albert E. nos apresenta ainda mais elementos de selvageria do que o mostrado acima. Nossa querida carrega para o lanche da tarde um suculento pé esquerdo e está petiscando uma saborosa mão direita, todos os membros citados sendo de humanos. Temos além disso, entre as pernas da nossa elegante canibal duas tribos indo de encontro voraz a uma batalha sanguinolenta. A índia nua, selvagem e canibal "dá a luz" à desordem, à barbárie.
Já com uma pitada de miscigenação e civilização, o artista nos apresenta a mais sexy de suas modelos. Trata-se de uma mameluca, com cestas de flores, cercada de frutos e vestida. Observem que as curvas dessa mulher são muito mais acentuadas do que a nossa querida que fazia um lanchinho acima.

Entendendo essas pinturas como uma visão européia do Brasil, e não como um retrato da realidade, conseguiremos trilhar um bom caminho. Essas imagens tinham por objetivo dar uma noção aos europeus do que se encontrava por aqui. Além disso, a gradação que percebemos, ou seja, a diferença entre a representação da selvagem tapuia e da mameluca muito nos diz. Essas obras são quase um relatório sobre as populações que aqui se encontravam e que se tornaram responsabilidade da Holanda, representada por Nassau. Este tinha então uma missão, a de civilização do lugar que agora ocupava, levando os conceitos de família, moral e trabalho para os selvagens da América.

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