HISTÓRIA DE CASOS – o poder da mídia ao dispersar atenção

Segunda Edição:

É interessantíssimo observarmos os meios de comunicação e a sua recepção pela sociedade, principalmente quando observamos isso no tempo, considerando as permanências e as rupturas num mesmo processo de alienação. Isso constitui uma base sólida para quem pretende dar uma vasculhada na vida da sociedade. É, e faço questão de reforçar, importante nos tocarmos também das transformações que esses veículos de comunicação para a massa sofrem com o decorrer do tempo. Como todos os aspectos da vida social, a mídia se adapta às estruturas de poder vigentes e ao contexto social vivido, para atuar de maneira mais penetrante na sociedade.

Para dar continuidade na discussão que pretendemos, daremos uma olhada rápida para a história da imprensa no Brasil. Isso nos ajudará a refletir melhor:

JornalA Mídia impressa:

A imprensa no Brasil teve o começo de sua história no ano de 1808, com a vinda da família real portuguesa e a anulação da proibição da imprensa em terras brasileiras. Impresso por máquinas inglesas trazidas para cá, na Impressão Régia (hoje Imprensa Nacional), a Gazeta do Rio de Janeiro é o primeiro jornal a circular no Brazil. Comandada por funcionarios reais a impressão e edição do jornal era favorável ao governo.

Publicado duas vezes por semana (bi-hebdomandário), era um jornal oficial e consistia, basicamente, de comunicados do governo. Seu editor era o Frei Tibúrcio José da Rocha. Também publicava informes sobre a política internacional, em especial, à realidade européia diante dos conflitos napoleônicos e a instabilidade das colônias americanas da Espanha. A partir de 29 de dezembro de 1821 passou a se denominar simplesmente Gazeta do Rio. Com a independência, a Gazeta deixou de circular. Com seu fim, foi sucedido pelo Diário Fluminense, de Pedro I e o Diário do Governo, de Pedro II, como órgãos oficiais de imprensa.  fonte:http://fr.wikipedia.org/wiki/Max_Leclerc

Anos depois surge o Correio Braziliense, sob o comando de Hipólito José da Costa. Lançado em junho de 1808 em Londres, só chega ao Rio de Janeiro em outubro do mesmo ano, sendo o primeiro jornal brasileiro. O Correio Braziliense teve grande repercussão nas camadas mais esclarecidas e fora proibido pelo governo. Até 1820, quando revoga-se a proibição de outros jornais, a Gazeta do Rio de Janeiro foi o único periódico permitido em solo brasileiro.

O Correio Braziliense tinha uma postura muito diferente da adotada pela Gazeta. Enquanto o jornal régio detinha-se à informações como o estado de saúde dos príncipes europeus, tendo ainda uma comissão de três fiscais responsáveis por não deixar que se publicasse naoda contrário à religião, aos bons costumes e à boa imagem do governo,  o Correio Braziliense tinha foco em críticas à administração do país, apontando os erros e falhas. No entanto, as informações eram divulgadas não pela informação, mas sim com o propósito de difundir ideologias, atingir os formadores de opinião para fortalecer a idéia.

A censura vem a “acabar” em 1821, em decorrência das manifestações liberais em Portugal que tiveram seus reflexos aqui, seguidos de um governo (o de D. Pedro II) que não era a favor de perseguições às publicações. Essa situação se modifica também com a chegada da República – teremos então no Brasil a formação de partidos políticos e a necessidade de veiculação das idéias e das imagens de seus respectivos representantes. Para termos uma idéia melhor de como foi no começo da República, vamos dar uma olhada no que nos disse Max Leclerc, um francês que veio ao Brasil no final do século XX:

“A imprensa no Brasil é um reflexo fiel do estado social nascido do governo paterno e anárquico de D. Pedro II: por um lado, alguns grandes jornais muito prósperos, providos de uma organização material poderosa e aperfeiçoada, vivendo principalmente de publicidade, organizados em suma e antes de tudo como uma empresa comercial e visando mais penetrar em todos os meios e estender o círculo de seus leitores para aumentar o valor de sua publicidade, a empregar sua influência na orientação da opinião pública. Em torno deles, a multidão multicor de jornais de partidos que, longe de ser bons negócios, vivem de subvenções desses partidos, de um grupo ou de um político e só são lidos se o homem que os apoia está em evidência ou é temível.”

Essas são imagens que retratam algumas facetas do contexto em pauta. As de cima são produzidas pela França com um pezinho no século XX e as debaixo são tupiniquins até o osso – mas no mesmo contexto!

A sociedade se modifica no decorrer do tempo, tornando necessárias outras formas de impressão que vão surgindo das atividades da imprensa. A inclusão de caricaturas, o desenvolvimento de revistas, folhetins que alcançavam outros ninchos leitores abriam espaço, também, para a expressão das idéias dos autores. No decorrer da República a atividade de imprensa sofreu várias retaliações, sendo vítima de sensura mascarada, até que, com o correr dos séculos, viu-se que a imprensa poderia servir como instrumento de poder e a informação poderia ser uma mercadoria altamente vendável.

RádioA Mídia Falada:

A inicial idéia da utilização do rádio no Brasil se deve a Roquete Pinto, importante personagem que teve grande importância na antropologia e geografia brasileira das décadas iniciais da República. Para ele o rádio seria diversão e difusão de cultura para os pobres, devido à facilidade e ao alcance das ondas de rádio. Com o correr dos anos as rádios foram tomando cara, e, ao chegar na década de 1930, importantes nomes da música brasileira começavam a surgir. Juntamente com esses astros, o rádio trazia a “Voz do Brasil” para dentro dos lares brasileiros. Mais tarde utilizou-se o rádio para difundir o futebol, como na copa de 58. Esse movimento veio aos poucos moldando não só os limites e formatação dos meios de comunicação, mas também dando forma à sociedade, seus desejos, gosto e cultura.

Televisão: A Imagem a serviço da informação (?)

A TV chega ao Brasil na década de 1950, por iniciativa privada de Assis Chateaubriand, fundando a TV Tupi. As precárias condições tecnológicas não permitiam transmissões que não fossem ao vivo e preto e branco. Além disso, os aparelhos de TV eram importados, dificeis de se conseguir.


Nos anos 60 tivemos grandes avanços, tanto da sociedade quanto no desenvolvimento tecnológico. Podemos citar a chegada do homem à Lua como uma das coisas que mais causou impacto nesse momento. É aí que surgem emissoras como a Rede Globo e a TV Bandeirantes, que fazem apelo popular com sua programação recheada de telenovelas e telejornais em horários estratégicos. Com o decorrer do tempo a Rede Globo torna-se hegemônica no mercado televisivo brasileiro, tornando-se o principal, ou o único, acesso a informação por parte dos cidadãos, que, a partir da década de 80 e, principalmente, 90 (com o Plano Real) tiveram maior acesso aos aparelhos.

Com isso temos a seguinte situação: uma emissora de televisão comanda uma massa de manobra por meio de futilidades que são tidas como essenciais, e, por muitas vezes, acobertam coisas muito mais sérias, que seriam de suma importância para uma noção real do que se procura em uma informação. Os exemplos mais tristes que temos de dispersão da atenção dos telespectadores acontecem na nossa cara! A utilização de casos absurdos, isolados, os quais são intensamente abordados pela mídia e tomam proporções fora do comum:

O caso que está mais em voga na atualidade é o CASO NARDONI, de um assassinato de uma menina cometido pelos próprios pais. A explosão do caso coincidiu com investigações e CPI do Mensalão, inundando a televisão de horas dedicadas ao sofrimento de uma menina. Parece até justo, se não fosse absurdo explorar a desgraça alheia afim de acobertar as sujeiras da política. A movimentação popular, é claro, atendeu aos apelos do Deus Televisão, aquele que só nos fala a verdade com a pretensa e sem vergonha liberdade de imprensa que temos, e foi às ruas. Revoltante!

Outro ilustre caso largamente explorado pela televisão brasileira foi o de Lindemberg. A transmissão ao vivo do sequestro realizado pelo rapaz invadiu os lares brasileiros e era possível, pela televisão aberta, não ver ou ter notícia da tragédia. Ainda mais revoltante, o caso Lindemberg nos veio tapar os olhos para a maior crise do século XXI não nos permitiu que refletíssimos, através do mais importante formador de opinião do Brasil – a televisão.

Por essas e muitas outras meus queridos colegas, que o nosso senso crítico deve estar sempre alerta para as artimanhas das manipulações dos meios de comunicação, entendendo-os como uma das maiores fontes de poder e controle social que temos hoje em dia. E vamo que vamo!

Um fraterno abraço aos amigos leitores!

fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa_no_Brasilhttp://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewFile/469/428,http://www.infoescola.com/comunicacao/historia-do-radio-no-brasil/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Televis%C3%A3o_no_Brasil

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