CONHECENDO A HISTÓRIA DO JAZZ- O GRANDE DIZZY GILLESPIE E O JAZZ MODERNO

Depois de muito tempo sem conseguir postar novos artigos, enfim, de retomamos as atividades… agora para ficar de vez.

O post de hoje fala um pouquinho de um grande nome do jazz, para aqueles que como eu são apaixonados pela história da música e desejam cada vez mais aprofundar nesse imenso universo de possibilidades, dentre elas o jazz.

Dizzy Gillespie

O músico escolhido é o trompetista Dizzy Gillespie, um cara muito foda. Responsável por um grande avanço técnico na forma de se executar o jazz, já tradicionalmente marcado pelas complexos ritmos e harmonias. Nascido em 1917, na Carolina do Sul, viveu até o ano de 1993, tendo ao longo desse tempo se consagrado como uma peça fundamental na construção do conceito de jazz moderno, caracterizado pela introdução do bepbop, que apresentava ritmos mais complexos e harmonias mais dissonantes.

Seu nome é, muitas vezes, associado ao do saxofonista Charlie Parker, outra lenda do jazz moderno, assim como Erasmo e Roberto Carlos ou John Lennon e Paul McCartney. No entanto, o parceiro Parker teve uma curta trajetória por ter se entregado a um dos grandes inimigos dos jazzistas da época: a heroína. Acabou falecendo aos 34 anos, em 1955, se tornando uma figura mitificada no mundo do jazz. Gillespie desfez a parceria, pouco tempo antes da morte de Parker, quando o vício o impedia de agir e produzir normalmente.

Charlie Parker e Dizzy Gillespie

Gillespie por sua vez, rejeitou a armadilha das drogas e desenvolveu uma longa carreira, produzindo até sua morte, consagrando-se como uma lenda viva do jazz. Era um showman nato, não apenas tocava seu trompete com maestria  como também divertia o público com suas piadas, danças e improvisos vocais que encantavam e o diferenciavam da maior parte dos músicos daquele período.

Começou sua carreira substituindo, aos 19 anos, o precursor das transformações que estavam por vir, Ray Eldridge, em uma big band. Tocavam swing, que dentro do jazz é caracterizado por uma maneira de tocar ou cantar, com um certo balanço capaz de criar a sensação de que a música flutua sobre o ritmo regular, desenvolvido na década de 30, era dançante e dominava o repertório das big bands. Durante esse período Gillespie tocou em várias big bands se destacando na comandada por Teddy Hill, aonde encontrou espaço para desenvolver grandes solos que se destacavam pela facilidade que tinha para tocar em reigões mais agudas do trompete.

Outra Big Band que Dizzy participou foi a do cantor Cab Calloway. Sua saída do grupo foi trágica, marcada por uma brincadeira indevida feita por um membro da banda que levou a uma briga ( porrada mesmo) entre o líder e Gillespie. Calloway já apresentava, no momento da saída de Dizzy, certa insatisfação com os solos apresentados por ele, acusando-o de fazer “música chinesa”, por não compreender as inovações harmônicas apresentadas. Foi nessa Big Band que Dizzy conheceu seu maior parceiro, Parker.

No inicio da década de 40 Dizzy passou a frequentar, em Nova York no Minton’s Playhouse,  reuniões informais de músicos que tocavam sem seguir partituras, improvisando, que recebem o nome de jam session, onde efetivamente o bepbop. Em 1945, o bepbop decolou comercialmente e Dizzy alcançou maior popularidade, garantindo o avanço do jazz moderno e a ira dos tradicionalistas.

Já na segunda metade da década, após o rompimento da parceria com Parker, Dizzy monta sua própria big band. Revolucionária, baseada no conceito do bepbop, aberta a novas experimentações que culminariam no desenvolvimento do jazz afro-cubano ( ou Latin Jazz). O interesse de Gillespie pela música cubana ultrapassou a década de 40 e a Guerra Fria. Ele visitou o país diversas vezes encontrando em Cuba uma série de parceiros musicais que o ajudaram a criar uma nova concepção do jazz, mesclado a outras influências musicais. Em 1985 firmou uma grande parceria com Arturo Sandoval  revolucionando ainda mais a concepção do jazz afro-cubano com a inserção de novos instrumentos.

Quanto a musicalidade latina Dizzy afirmava: ” Acho que daqui a 15 ou 20 anos a música dos EUA, Cuba e Brasil, que são as mais importantes do mundo, vão se tornar uma coisa só e eu vou estar aí para ver.” Profecias a parte, esse simpático gênio da música contribuiu para a renovação do Jazz, produzindo ao longo de sua vida mais do que obras primas do gênero, mas sim grandes shows que mesclavam discutível habilidade musical, humor, canto e dança, que acabaram por encantar todo o mundo. Seu legado perdura até os dias atuais , perpetuado como uma grande referência para os amantes do jazz.

3 comentários sobre “CONHECENDO A HISTÓRIA DO JAZZ- O GRANDE DIZZY GILLESPIE E O JAZZ MODERNO

  1. Muito bacana o post Babi. Não sei se você curte, mas podíamos ter um post falando sobre o samba de raiz e sua origem. Fico por aqui AGARRADO no blog esperando novos posts!-D…

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