A União Ibérica e o trágico destino português

Durante todo o período feudal, o território português esteve ligado ao reino de Castela. Essa situação alterou-se com a Revolução de Avis, 1383, quando D.João (mestre de Avis) deu início ao combate contra os castelhanos, o que resultou na formação do exército nacional português e consequente afirmação da independência de seu Estado Nacional.

Após o Estado Nacional ser afirmado, Portugal iniciou um grande projeto expansionista que o elevou, no século XV e início do XVI,  ao status de maior potência do ocidente, sendo o primeiro império global com terras dominadas em todos os continentes.

No entanto, a estabilidade política e econômica portuguesa foi abalada pela morte precoce do jovem D.Sebastião, na batalha de  Alcácer-Quibir (1578), em Marrocos. Os portugueses, desde sua formação, ansiavam pelo norte do continente africano. Suas primeiras investidas ocorreram quando D.João I  ordenara a conquista de Ceuta, no Marrocos. O território era importante pois representava a supremacia dos portugueses frente aos mouros, além de ser um importante entreposto comercial.

A guerra de Alcácer Quibir definiu o destino português e representou o declínio dos anseios cruzadistas na África

D.Sebastião, quase dois séculos depois, deu prosseguimento aos anseios expansionistas e, contrariando a corte portuguesa, armou uma esquadra com 800 embarcações e partiu para Marrocos. Essa seria a última aventura cruzadista do homem europeu na África. O discurso utilizado pelo monarca era a necessidade de expansão da fé católica, mas na prática a necessidade de afirmação do império e de promover a intensificações das transações econômicas, formam os reais interesses dos portugueses.

O conflito também ficou conhecido por “batalha dos três reis”, pois nela também perderam a vida dois sultões marroquinos. D.Sebastião, por sua vez, morreu na linha de frente, depois de perder seu cavalo. O império português estava com seus dias contados. O sucessor de D.Sebastião era seu tio o cardeal D.Henrique, que além de ser idoso, morreu, pouco tempo depois, sem deixar herdeiros. O trono português estava aberto e o interesse espanhol era grande.

A Espanha também passava por um importante período de expansão. Utilizando de sua superioridade bélica e de seu poder acabou por suplantar seus adversários, dominando o Estado português. Adotou uma política conciliatória, mantendo a autonomia portuguesa, suas leis e a estrutura administrativa. Ou seja, o máximo de lucratividade com o mínimo de esforço. Começava a União Ibérica…

Os reflexos desse período, para o Brasil, foram positivos, pois a colônia saiu de uma posição “regional”, ampliando seu papel no cenário geopolítico colonial. As fronteiras coloniais foram ampliadas com a conquista da Paraíba e do Maranhão, as ações bandeirantes foram mais incisivas com a dominação de amplos territórios, pertencentes à Espanha, que acabaram sendo anexados após o fim da União. Esse período, muito embora, seja de extrema relevância para  a história brasileira, é muito pouco estudado, prejudicando a compreensão da evolução do processo de construção da colônia brasileira. Vale destacar que nesse período os holandeses tomaram a região açucareira, sendo essa mais uma peculiaridade do período.

Os governos de Felipe II e Felipe III acabaram por deixar um legado positivo para as terras brasileiras. Mas o mesmo não aconteceu com a posse de Felipe IV, pois seu governo foi marcado pela ineficiência e crescente dificuldade de manutenção do extenso império espanhol. Não por acaso os holandeses, percebendo a fragilidade do governo, tentam invadir, pela primeira vez o Brasil, em 1624, três anos após sua posse. Com uma administração falha, a manutenção dos territórios começa a dar seus primeiros sinais de esgotamento. O nordeste açucareiro passa a ser dominado pelos holandeses, além da ação pirata inglesa, que reforçam os sintomas de esgotamento do império castelhano.

A restauração monárquica portuguesa ocorreu em 1640, com a ascensão de D.João IV, fundador da dinastia dos Bragança. Atento observador da geopolítica castelhana, percebeu a fragilidade geradas por guerras travadas pelos espanhóis contra os Países Baixos ( Guerra dos 30 anos), além das dificuldades financeiras resultantes de uma política onerosa, e através de uma revolução rápida e sanguinária, acaba com a dominação castelhana, recompondo a autonomia política portuguesa.

A restauração das relações de poder no Brasil também tiveram seus momentos de descompasso. Pode-se perceber, durante a União, um crescimento de uma população castelhana em terras lusitanas. Um exemplo disso é a cidade de São Paulo. Como uma parte expressiva da população da cidade era de origem castelhana , revoltaram contra o governo português, o que acabou levando à proclamação da soberania de São Paulo. O líder do movimento, Amador Bueno, foi aclamado como novo rei. No entanto, ele se negou a receber o título, com medo da retaliação lusitana, jurando fidelidade a D. João IV, além de mandar prender os principais conspiradores. Ou seja, uma viagem sem fim, o cara faz a revolta , quebra o pau e depois saí fora, borrando de medo. Ele ficou conhecido como o homem que não quis ser rei!

Como podemos ver, esse pedaço da história da Península Ibérica, além de ser muito importante, teve um papel muito relevante no desenvolvimento do Brasil, não podendo mais ser desprezados tanto dentro de sala de aula quanto fora, nos livros e aqui no blog.🙂

Um grande abraço para todos!!

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