O bandeirante Fernão Dias e sua história de perseverança e determinação na busca por metais preciosos

As bandeiras e entradas foram fundamentais no processo de interiorização da colônia brasileira. Os bandeirantes, homens da terra, destemidos e solitários, perambulavam pelo misterioso território em busca das mais diversas sortes de enriquecimento. O reconhecimento do território, a busca por índios e escravos fugidos, além da busca por metais preciosos, o maior bem que a terra poderia retribuir a esses homens que se arriscavam dentro do território desconhecido e cheio de armadilhas naturais.
Eduardo Bueno, em seu livro “história do Brasil” definiu muito bem a importância e a ação desses homens: “Em apenas três décadas -as primeiras do século XVII-, os bandeirantes e seus mamelucos podem ter matado ou escravizado cerca de 500 mil índios, destruindo mais de cinquenta reduções jesuíticas nas regiões do Guaíra, do Itatim e do Tape. Desafiaram as leis e os reis de Portugal e da Espanha. Blasfemaram contra Roma, foram excomungados pelo papa. Ainda assim ignoraram as ameaças e só foram contidos pela força das armas. Transformaram sua capital, São Paulo, num dos maiores centros de escravismo indígena de todo o continente.Mais: por um tempo, fizeram dela cidade sem lei- reino do terror, ganância e miséria. E também o polo a partir do qual todo o sul do Brasil pôde , enfim, crescer, desenvolver-se e endinheirar.”

Os caminhos dos bandeirantes rumo às Minas Gerais

Dentre vários bandeirantes famosos, destaco a figura emblemática de Fernão Dias. Sua saga relaciona-se ao mito da miragem das minas de esmeraldas localizadas em Sabarabuçu, que hoje recebe o nome de Sabará , em Minas Gerais. O sonho de encontrar essas pedras preciosas assemelhava-se ao antigo mito do Eldorado, que guiou o imaginário português e espanhol no início do processo de colonização da América.
Sua saga teve início em 1672, quando a Coroa portuguesa financiou uma empreitada em busca das tais pedras preciosas e o bandeirante escolhido para realizar essa expedição foi Fernão Dias Paes, um dos mais experientes sertanistas, mas também muito idosos para tal atividade.
Seu currículo era marcado por grandes aventuras, destruição de reduções jesuíticas no Rio grande do Sul, no Mato Grosso, além da captura de indígenas nos arredores de São Paulo. Registros afirmam que em uma empreitada no Paraná ele acabou capturando mais de 5 mil índios que foram vendidos como escravos.

As principais bandeiras de preação

Essas conquistas e a fama acabaram lhe rendendo uma vida abastarda com grandes propriedades e prestígio social.Era reconhecido pela igreja, apesar de ser declaradamente a favor da escravização indígena, por ter construído o famoso mosteiro de São Bento, em São Paulo.

O Mosteiro de São Bento, em São Paulo
A opulência no interior do Mosteiro de São Bento

Mesmo idoso, Fernão Dias não abriu mão de comandar aquela que seria sua mais importante e última viagem. Seu coração estava embebido de esperança em encontrar a lendária região de Sabarabuçu, tão comentada dentre os índios. Sua comitiva contava com quarenta paulistas e duzentos nativos. Os relatos sobre a viagem relatam toda a dificuldade de se atravessar o território marcado por uma vegetação áspera, animais peçonhentos e agruras de toda a sorte. A chegada não foi nada fácil, tanto que a caminhada se estendeu por mais de sete anos ao longo do Rio Jequitinhonha e do Rio das Velhas.Como as pedras não apareciam, Fernão Dias começou a viver uma grave crise financeira, afinal não era nada barato manter toda a comitiva abastecida. As deserções começaram e ele não se curvou às dificuldades, anunciava aos remanescentes a todo o momento que levaria essa empreitada até o fim.
A situação ficou complicada e um motim dentre os homens que o acompanhavam fez com que a comitiva passasse a ser comandada por seu filho bastardo José Dias Pais. Jovem e disposto a manter a ordem, acabou recorrendo à violência para garantir a unidade do arraial que começava a ser formar. Em 1681, nas margens da lagoa de Vupabuçu, pedras verdes surgem nos veios d’água. A missão estava completa, Sabarabuçu conquistada e a riqueza começava a brotar da terra. Fernão Dias enviou algumas pedras para serem avaliadas em São Paulo, mas antes da notícia de que tais pedras não passavam de Turmalinas chegar, ele sucumbiu à malária e morreu aos 73 anos, deixando seu legado de perseverança e coragem.
Seu genro Manuel Borba Gato permaneceu na região do Rio das Velhas, e acabou se tornando o herói da descoberta das minas de ouro que marcaram a vida colonial brasileira, ao longo do século XVIII.

A morte de Fernão Dias - um legado de coragem e perseverança

6 comentários sobre “O bandeirante Fernão Dias e sua história de perseverança e determinação na busca por metais preciosos

  1. legal e bem esplicativo mas eu acho que voce devia falar mais sobre suas experiencias mas eu gos tei muito e agora que li sei sobre a historia de fernão

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