Revolução Russa parte II: Revoluções de 1917

Pessoal, agora vamos dar continuidade ao projeto Rússia.

No post anterior falamos sobre a crise do czarismo e nesta publicação estudaremos um pouco as revoluções de 1917, que ficaram conhecidas como Revolução Russa. Serão duas revoluções, uma em fevereiro e outra em outubro (segundo o calendário russo da época), responsáveis pela deposição do czar e depois pela instalação do primeiro país socialista do mundo.

O czarismo mal se recuperara das manifestações de 1905 (ensaio geral) e já estava à beira de outro colapso político, quando eclodiu a primeira guerra mundial em 1914. Nicolau II esperava ampliar as fronteiras russas e, assim, conter a onda de insatisfação que voltava a ameaçar seu governo. Porém, passados os primeiros anos de guerra, a empolgação patriótica das massas se foi e a derrota para os alemães deteriorou a precaríssima condição de vida do povo russo.  O exército estava esgotado, os combatentes abandonavam a frente de batalha e mesmo os oficiais estavam insatisfeitos com o czar. É diante desse quadro caótico, de miséria e fome extremas e de insatisfação geral com o governo, que ocorrerá a Revolução Russa.

Nessa época o principal partido que congregava os insatisfeitos com o czarismo era o PSODR, o partido social democrata russo. Esta agremiação política apoiava-se nas idéias de Marx e Engels, mas, em 1903, sofre uma cisão ideológica, da qual surgem os dois principais grupos que disputarão o poder: os mencheviques, que interpretavam as idéias marxistas rigidamente, acreditando que para realizar uma revolução socialista seria necessário primeiro uma revolução burguesa, capaz de acabar com os resquícios feudais e com o czarismo, e desenvolvesse o país fazendo-o atingir a etapa do capitalismo industrial, para depois ocorrer a revolução socialista. Por outro lado, os bolcheviques, liderados principalmente por Vladimir Ilyitch Uliánov (Lênin), perceberam que seu país era o elo mais fraco do capitalismo mundial, terreno fértil para o início da revolução no mundo todo (ou pelo menos na Europa).

    No dia 8 de março de 1917 (calendário gregoriano) um grupo de operárias sai em passeata pela capital, ganhando adesão dos trabalhadores e produzindo uma greve geral. O povo invadiu as ruas da capital exigindo basicamente pão. As tropas do czar, mesmo os mais leais soldados, hesitaram em reprimir a insurgência popular e depois se juntaram aos revoltosos. Essas manifestações se estenderam por quatro dias, culminando com a inevitável abdicação do czar. Esse episódio corresponde à primeira fase da revolução e ficou conhecido como revolução de fevereiro (devido ao calendário Juliano em vigor no Império Russo).

Estátua de Nicolau II derrubada pelos revolucinários russos
Georgy Lvov
Kerensky ministro do governo provisório

Logo após a renúncia do czar, a Duma instala um governo provisório, tendo à frente o príncipe Lvov, mas que tinha a nítida influência do ministro menchevique Alexandre Kerensky. O governo provisório implementou um regime de liberdades jamais visto até então na Rússia;anistiou os presos políticos, garantiu a liberdade de imprensa e o funcionamento legal dos partidos políticos. Contudo, a República da Duma não satisfazia as principais reivindicações populares: a Rússia permanecia na guerra e o governo mostrava-se incapaz de solucionar os problemas de abastecimento.

            Paralelamente ao governo provisório, o povo, por todo o país, organizava-se nos Sovietes, conselhos de trabalhadores que havia surgido pela primeira vez em 1905. Era nesses conselhos que os mais diversos grupos políticos disputavam a influência sobre os trabalhadores, entre essas agremiações ideológicas a mais bem-sucedida foi o partido Bolchevique, liderado por Lenin, Trótsky e Bukhárin. O sucesso dos bolcheviques está associado a sua capacidade de perceberem as necessidades populares e de adaptar seu programa para atendê-las. Assim, os slogans “pão, paz e terra” e “todo poder aos sovietes”, cunhado pelos vermelhos, logo conquistou a classe trabalhadora.

Além de ser incapaz de fazer cumprir seus decretos, o governo provisório suprimiu aquela liberdade inicial, reprimindo violentamente as manifestações populares de julho e perseguindo o Partido Bolchevique. Em agosto, o general Kornilov tentou dar um golpe de estado para restaurar o czarismo. Então, o governo precisou do auxílio dos bolcheviques para resistir aos contra-revolucionários. O combate à reação czarista conferiu grande prestígio aos bolcheviques que passaram a liderar os principais sovietes, Moscou e Petrogrado (antiga São Petersburgo).

            Em 7 de novembro (25 de outubro no calendário Juliano), data em que estava agendado o II Congresso dos Sovietes, os bolcheviques executaram o plano de Lênin e tomaram os departamentos públicos e o palácio de inverno. O governo republicano dos mencheviques foi destituído e em seu lugar foi criado o Conselho de Comissários do Povo. A revolução de outubro, da mesma forma que a revolução de fevereiro, ocorreu quase sem resistência.

O novo governo tratou de cumprir suas promessas: retirou o país da guerra (que resultou na paz punitiva do tratado de Brest-Litovski), decretou o fim da propriedade privada, a nacionalização das indústrias e bancos estrangeiros e iniciou a reforma agrária. Além disso, foi dissolvida a Duma e convocada uma nova assembléia com a função de criar uma nova constituição. No entanto, essa assembléia reuniu-se apenas uma vez, sendo logo dissolvida por mostrar-se hostil aos bolcheviques.

Gente, essas foram as revoluções de 1917, que acabaram com a monarquia autocrática e possibilitaram o surgimento do primeiro país socialista do mundo. O fim do czarismo está associado ao desgaste da autoridade do czar(que trabalhamos no post anterior), somados à derrota nas batalhas contra a Alemanha e às terríveis conseqüências da guerra. O governo provisório também pecou ao insistir na ofensiva bélica, mesmo com o evidente esgotamento das tropas (o exército russo tinha maior índice de deserção). Os bolcheviques, por outro lado, ficaram muito populares ao promoverem a saída da Rússia da guerra e ao prometerem distribuir terras aos camponeses.

Cenas do próximo capítulo: falaremos sobre a guerra civil que se estendeu de 1918 até 1921. Vamos falar mais sobre o governo de Lênin, da economia de guerra e também da NEP. E encerraremos com a ascensão de Stálin e o exílio forçado de Trótsky.

Revolução Russa Parte I

Revolução Russa Parte III

2 comentários sobre “Revolução Russa parte II: Revoluções de 1917

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s