O período holandês no Brasil –Parte 3: A restauração pernambucana

Bandeira de Pernambuco

A restauração portuguesa de 1640 – ou seja, a ascensão do português D. João IV da casa de Bragança ao trono, pondo fim ao período da União Ibérica – foi um fato político que alterou a conjuntura europeia, e que coincidiu com o início da expulsão dos holandeses no Brasil e na África.

Porém, durante o processo de restauração lusitana, foi feito um acordo de trégua entre Portugal e Holanda que durou 10 anos. Desta forma, os holandeses reduziram seus efetivos militares em Pernambuco, possibilitado pelo fato de que a maior ameaça à Nova Holanda – os portugueses – prometeram não tentar retomá-la.

O passo seguinte foi a dispensa de Maurício de Nassau, obrigando o seu retorno para a Holanda, em 1644. A desavença entre Nassau e a Companhia das Índias (WIC) – ver os posts anteriores sobre o tema – se dava, por um lado, pela acusação de corrupção (sempre ela né?!); de outro, pela crítica feita a ela de que não conseguia os lucros esperados pela WIC com a exploração do açúcar. Por sua vez, Nassau acusava a WIC de não enviar recursos necessários para sua administração.

Nassau foi substituído por uma junta de três membros da WIC, os quais estavam dispostos a explorar ao máximo a sua possessão na América, afim de chegar ao patamar de lucros esperados pela companhia. O recrudescimento político foi muito forte e evidente, e o governo não perdoava as dívidas e os prazos dos proprietários de engenho, além de ser intolerante quanto à religião.

Essa série de fatores culminou em uma série de conflitos armados entre os pernambucanos e os holandeses, processo conhecido como RESTAURAÇÃO PERNAMBUCANA (1645-1654). Nesta luta, os pernambucanos conseguiram expulsar a maior potência comercial da época, e o mais incrível disso tudo: sem o auxílio da Coroa portuguesa. Foi um feito realmente heroico, e até hoje os pernambucanos tem muito orgulho deste feito realmente inigualável na história do Brasil colonial. E o mais interessante é que este processo não resultou na independência de Pernambuco: os chefes locais (Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão) entregaram “de mão beijada” a soberania da capitania ao Rei de Portugal, considerado como o “Rei natural, legítimo”.

Batalha de Guararapes, 1648

Como entender este processo?? Temos que lembrar que a concepção de “independência” não existia ainda no século XVII, pois ela só vai fazer sentido a partir do Iluminismo, que insistiu bastante no conceito de liberdade, especialmente de liberdade política. Outro fato importante é que uma das grandes motivações dos pernambucanos era a religião, pois acreditavam que estariam “à serviço de Deus contra a opressão dos hereges”, e portanto nada mais justo do que entregar a soberania ao Rei católico.

E então, os pernambucanos-restauradores seriam meros “entreguistas”, no sentido de serem submissos a Portugal mesmo quando esta não se fazia presente; ou seriam antes “bravos e corajosos guerreiros fiéis ao Rei e à religião católica”? Fica a pergunta para os leitores, quem quiser pode deixar suas opiniões no campo dos comentários abaixo.

É isso aí galera!! Tomara que esta série sobre o período holandês no Brasil ajude-os nos estudos e para as provas de vestibular que estão chegando!!! Grande abraço a todos!!

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