Revolução Russa parte III: guerra civil, Lênin e Stálin.

Olá meus queridos, hoje finalmente vamos acabar o estudo sobre a revolução russa. Nos episódios anteriores abordamos o czarismo e as revoluções de fevereiro e outubro; agora analisaremos os acontecimentos posteriores à revolução bolchevique.

Como vimos, após a revolução de outubro seguiu-se um governo bolchevique, liderado por Vladimir Illitch Uliánov, mais conhecido como Lênin. Este novo governo foi pouco democrático; a nova assembleia constituinte foi logo fechada, porque a maioria dos deputados eleitos eram opositores dos vermelhos. Por outro lado, os novos governantes preocuparam-se em atender a principais necessidade da população: a Rússia saiu oficialmente da primeira guerra mundial e em 1918 assinou o armistício de Brest-Litóvski com a Alemanha.

Após a desocupação alemã têm início uma série de conflitos que irão persistir até 1922, começava uma sangrenta guerra civil. Forças czaristas e liberais, com apoio da Inglaterra, França, EUA e Japão, enfrentaram o exército vermelho tentando derrubar o governo de Lênin.

Os bolcheviques, que enfrentavam também milícias anarquistas, contavam com um exército recentemente organizado, conhecido como exército vermelho. À frente dessas tropas se destaca a figura de Leon Trótski, revolucionário proveniente de família burguesa, inicialmente indeciso entre mencheviques ou bolcheviques, mas que tem destacada atuação no novo governo.

Durante a guerra civil o principal objetivo dos bolcheviques e seu líder era manter o governo revolucionário até que a revolução se internacionalizasse e eclodisse em algum dos países mais desenvolvidos da Europa. E isso parecia possível, uma série de revoltas populares aconteceu na maioria dos países envolvidos na primeira guerra, mas a esperada internacionalização não ocorreu.

Enfim, para resistir às pressões contrarrevolucionárias o governo de Lênin irá adotar uma série de medidas econômicas que ficarão conhecidas como comunismo de guerra. Essas medidas consistiam na centralização e controle da produção pelo Estado, através das “requisições forçadas”. As grandes propriedades de terra foram confiscadas e distribuídas entre os camponeses; as indústrias e bancos estrangeiros foram nacionalizados. E como toda a economia era controlada pelo Estado e a produção era confiscada, moeda e mercado foram abolidos. Essa “política econômica” resultará em desestímulo da produção e consequentemente uma terrível crise de abastecimento, mas foram medidas necessárias

Após a guerra civil era claro que o único vencedor do certame político foi o exército vermelho e, consequentemente, os bolcheviques, que desde 1918 era o único partido permitido e passava a se chamar Partido Comunista Russo. Porém, o país governado pelos comunistas estava arrasado; o esforço de guerra, apesar de heroico, comprometeu seriamente a produção e levou o país à beira de um colapso. Os russos enfrentavam sérias crises de abastecimento, além de revoltas operárias e camponesas devido às requisições forçadas. Além dos problemas internos, a Rússia sofria um isolamento externo político e econômico; nenhum país europeu mantinha relações diplomáticas ou comercializava qualquer produto com os soviéticos. Essa situação ficou conhecida por “Cordão Sanitário”, expressão consagrada pelo ministro francês Clemenceau. Nessas condições emergia o novo Estado operário soviético miserável e isolado (isolamento causado pelo próprio caráter do governo revolucionário), porém ocupava quase um sexto do planeta.

Para enfrentar essa terrível crise e fortalecer a economia russa, Lênin irá adotar uma Nova Política Econômica (NEP), combinando elementos capitalistas com princípios socialistas. As novas medidas consistiam em permitir e estimular pequenas e médias empresas privadas, permitir o pequeno comércio e a venda livre de produtos pelos camponeses. Era um recuo estratégico no socialismo, os setores fundamentais da economia russa e as principais indústrias permaneciam sob controle estatal.

A NEP foi bem-sucedida em seus propósitos conseguindo uma recuperação parcial da economia, mas era uma política econômica temporária, e a partir de 1928 a economia soviética vive a socialização total e, então, a NEP foi substituída pelos planos quinquenais que eram elaborados pela Gosplan. Os primeiros planos serão muito bem sucedidos, promovendo vertiginosa industrialização da União Soviética. Em 1930, enquanto o mundo capitalista vivia os reflexos da crise de 29, a URSS vivia um crescimento de sete vezes na indústria de base e quatro vezes maior na industria de bens de consumo. No campo foi implantada a coletivização agrícola, surgindo duas formas de estabelecimentos rurais: as fazendas estatais e as cooperativas.

No plano político percebemos a crescente centralização do regime soviético e a ascensão e supremacia da burocracia partidária e estatal. Já vimos que desde 1918 o partido bolchevique era o único permitido e que agora se chamava partido comunista. Em 1923 ocorre a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, resultado de um acordo de união entre diferentes regiões que formavam o antigo império russo e que se transformavam em repúblicas federativas socialistas.

Em 1924 falecia Lênin. Após sua morte o poder na URSS foi disputado entre Trótski que se destacara a frente do exército vermelho e defendia a tese da revolução permanente, segundo a qual os soviéticos deviam apoiar os levantes europeus a fim de espalhar a revolução; e Stálin, que se destacara no partido comunista russo e defendia a consolidação da revolução e o fortalecimento do Estado para depois tentar expandir a revolução. Stálin saiu vitorioso da disputa contra Trótski, que se exilou no México, onde viveu até ser assassinado em 1940.

Com Stálin a frente da URSS o regime socialista fechou-se ainda mais politicamente. As oposições e os debates, que ainda existiam dentro do partido, desapareceram progressivamente após a morte de Lênin e ascensão de Stálin. As decisões passavam a ser tomadas nos altos escalões do partido e repassadas hierarquicamente como ordens. A oposição era perseguida e eliminada; processada e banida do partido, enviada para prisões na Sibéria, assassinada, etc. Como principais exemplos disso temos o exílio de Trótsky em 1929 e os famosos “expurgos de Moscou” entre 1936 e 1938.

Assim galera, encerramos nossa série sobre a revolução russa. Estudamos a queda do czarismo e ascensão dos mencheviqu e como os bolcheviques tomaram o poder do estado e o sustentaram. Além disso, vimos como os russos recuperaram sua economia, mesmo isolados política e economicamente pelo “cordão sanitário” europeu. E também abordamos o fechamento político progressivo que atinge o auge com Stálin e culminará numa sangrenta ditadura totalitária.

Revolução Russa Parte I

Revolução Russa Parte II

4 comentários sobre “Revolução Russa parte III: guerra civil, Lênin e Stálin.

  1. Li os 3 posts sobre Revolução Russa e achei incrível a forma prática e clara que você passou todo o conteúdo.Parabéns pelo blog (:

    1. mto obrigado Isabelle, continue acompanhando o blog, em breve estaremos publicando mais conteúdo. Por favor continue comentando nossas postagens, esse retorno é fundamental para aprimorarmos o blog.
      Valeu Isabelle, bons estudos!

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