Ilhas Malvinas

Atualidades: Ilhas Malvinas / Falkland

A Argentina atualmente tem tido muito destaque nos jornais. É que em 2012 a Guerra das Malvinas completa seu trigésimo aniversário e o governo de Cristina Kirchner tem se aproveitado para mais uma vez reivindicar a posse de um conjunto de arquipélagos bem no sul do Atlântico, a menos de 500 km da costa argentina.

Esse território, chamado de Falkland Island pelos ingleses e Islas Malvinas pelos nossos vizinhos, tem em torno de 12 mil quilômetros quadrados e apenas 3 mil habitantes, mas mantém estremecidas as relações diplomáticas entre Argentina e Inglaterra desde o século XIX, quando os argetinos perderam o controle das ilhas para os súditos da rainha.

Mapa retirado de: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/entenda-guerra-das-malvinas.html

As ilhas foram primeiramente colonizadas por espanhóis, franceses e ingleses. Os franceses firmam acordo com a Espanha e abandonam as ilhas em 1767. Os ingleses partem da ilha após disputá-la com a Espanha entre os anos de 1769 e 1790. Durante as lutas de independência na América é a vez dos espanhóis partirem. Em 1820, os argentinos, após conquistarem sua independência, procuraram se estabelecer nas ilhas colonizando-as. Porém o domínio argentino foi muito breve, sendo interrompido pelos britânicos que, em 1833 novamente dominam as ilhas. Desde então, Reino Unido e Argentina disputam a soberania sobre os arquipélagos, ora com aproximação argentina para negociar a questão, ora com proposta dos ingleses, sempre ocorrendo recusa de uma das partes.

Em 1982 a querela pega fogo de vez e tem início a Guerra das Malvinas. A Argentina, em meio a uma sangrenta e cada vez mais impopular ditadura militar, invade as ilhas na madrugada de primeiro de abril. O ditador Leopoldo Galtieri pretendia salvar seu decadente governo, apelando para o sentimento nacionalista dos argentinos, unindo o país na luta contra o Reino Unido. O tiro, no entanto, saiu pela culatra. A Inglaterra de Margareth Thatcher, que também passava por crises internas, respondeu prontamente à agressão argentina. Os britânicos, contando com apoio da OTAN, enviam 28 mil soldados e sua moderníssima esquadra e frota para retomar o território perdido. Em 14 de junho, apenas dois meses e meio depois, as tropas inglesas retomam a capital Port Stanley, encerrando a guerra. A ditadura na Argentina, desgastada pelos anos de repressão, não resiste à derrota militar e se dissolve em 1983, sendo obrigados a entregar o governo aos civis. Para Thatcher a vitória traz popularidade ao seu governo, levando o partido Conservador a vitória nas eleições seguintes. Os argentinos, todavia, não abdicaram de suas pretensões sobre as Ilhas Malvinas, ainda mais após a recente descoberta de jazidas petrolíferas na região.

Clique para ver a “linha do tempo” feita pelo Estadão.

Assim como no passado, hoje a disputa sobre a soberania das Malvinas tem uso político, pelo menos por parte dos argentinos. O governo Kirchner passa por problemas econômicos e políticos: enfrenta taxas de inflação elevadas e é acusado de tentar silenciar a oposição por mover uma ação contra os grupos El Clarín e La Nación, que teriam apoiado o regime militar em troca de vantagens econômicas. E a proximidade do aniversário de trinta anos da Guerra das Malvinas é perfeito para desviar o foco da opinião pública e diminuir a impopularidade da presidente. Além disso, o governo argentino conta com toda a visibilidade que uma olimpíada em Londres pode trazer.

Esse ano a Argentina levou a questão à ONU. Os argentinos acusam os ingleses de militarizar a região, devido a realização de exercícios militares, incluindo a presença do herdeiro da coroa e piloto de resgate da força aérea inglesa, Príncipe William. Também houve uma polêmica propaganda gravada pela presidência argentina, questionando a soberania do Reino Unido sobre as Malvinas. Na peça publicitária de noventa segundos, um atleta do país treinava nas Ilhas Falkland, passando por monumentos que marcam a presença britânica no arquipélago. No fim aparece a mensagem “Para competir en suelo inglés, entrenamos en suelo argentino.”

Essas ofensivas, porém, não devem obter muito êxito, porque os habitantes das ilhas chamados de Kelpers identificam-se culturalmente com os ingleses e o Reino Unido é membro permanente com poder de veto na ONU. Além disso, um possível boicote argentino às olimpíadas não teria grande impacto nos jogos.

É isso aí galera! Os 30 anos da Guerra das Malvinas e as novas investidas sobre as Ilhas Falklands são os motivos pelos quais a Argentina tem comparecido frequentemente como matéria dos noticiários. É muito importante também saber sobre as ditaduras militares nesse país e o processo atual envolvendo os jornais El Clarín e La Nación. E nós estudaremos esses temas posteriormente. Aguardem.

Autor: Leonardo Gallo

3 comentários sobre “Atualidades: Ilhas Malvinas / Falkland

  1. Excelente, dinâmico, legal, sem excesso de informações. Por mais difícil que seja para os vestibulandos que trabalham materiais totalmente didáticos nos remetem a ideia de que é possível estudar para uma segunda etapa de cic. humanas.

    Parabéns a todo o grupo Históriaativa, Bárbara amore *-* sou seu aluno no extensivo/noite no Pré sala 1. Mande beijos para mim? rsrs

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