“É proibido proibir”, os festivais de música durante a Ditadura Militar

O inicio da Ditadura Militar Brasileira foi marcado, no plano cultural, pelo sucesso dos grandes Festivais de Música. A televisão se consagrava como principal meio de comunicação, levando para as telas os jovens músicos brasileiros, que eram a grande sensação do momento. A Ditadura Militar Brasileira foi instalada em 1964, a partir daí  os brasileiros passaram, progressivamente, a perder seus direitos e o mais importante, sua liberdade de expressão. Muitos utilizaram os Festivais para protestos, como Geraldo Vandré e sua célebre música “Pra não dizer que não falei das flores”, assim como Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil, entre outros. Mas esse post é dedicado a um episódio muito marcante, ocorrido no Festival Internacional da Canção, de 1968. Inspirado nos escritos dos muros de Paris, que em Maio de 1968, foi sacudida por grandes manifestações de jovens em busca de maiores liberdades e um menor conservadorismo na política e na sociedade francesa, Caetano Veloso apresentou, acompanhado dos Mutantes, a música “É proibido proibir”. Um protesto claro e direto, não só aos militares e à ditadura, mas também ao conservadorismo da sociedade brasileira.

Os jovens saíram as ruas em Maio de 1968, para demonstrarem toda sua insatisfação com o conservadorismo na sociedade e na política. Duras críticas eram realizadas ao governo Charles De Gaulle. Slogans como ” É proibido proibir”; “A Imaginação no Poder”; “Tomo meus desejos por realidade,pois acredito na realidade de meus desejos”; “Quando penso em revolução quero fazer amor”; “Somos realistas: queiramos o impossível”; “As ruas são do Povo” Esses slogans se tornaram comuns no vocabulário jovem.

A apresentação da música não poderia ter sido pior. O público presente não aceitou a proposta estética, tipicamente tropicalista, com a poluição sonora, fruída, trazendo uma proposta de criação de uma paisagem sonora, não muito agradável. Mas em 1968, quem estava procurando ser agradável, o importante era se posicionar, ser jovem e mostrar a insatisfação com o sistema político vigente. Uma chuva de objetos atingiram o palco, as vaias eram ensurdecedoras e Caetano não deixou barato. O artista berrou um pesado discurso, que refletia todo o sentimento daquele momento, toda a necessidade de promover uma reavaliação tanto no cenário político quanto no comportamento dos jovens. A estética musical tinha que ser quebrada, eram os sons da repressão, uma nova batalha que se estabelecia, não adiantava protestar e continuar o mesmo, eram ares de mudança que estavam sendo propostos pelos tropicalistas. “Vocês estão por fora. Vocês não dão para entender. Mas que juventude é essa? Vocês são iguais sabem a quem? Sabem a quem? Aqueles que foram na Roda Viva (peça de teatro) e espancaram os atores. Não diferem nada dele”. A seguir o discurso na integra para vocês darem uma sacada na real que o cara manda na galera.

Uma rápida entrevista com Solano Ribeiro, um dos organizadores do Festival Internacional da Canção, falando sobre a importância dos festivais e do episódio da apresentação de Caetano, dentro do contexto do regime militar. Pessoal não deixe de assistir para entender melhor todo esse contexto.
Para encerrar, estou postando slides que retratam a repressão e a cultura nos tempos da Ditadura Militar e slides super bacanas sobre uma perspectiva mais ampla, falando sobre a Revolução Cultural  intitulada “Sexo, drogas e Rock n’roll” DOWNLOAD: Cultura e repressão nos tempos da ditadura militar DOWNLOAD: SEXO DROGAS E ROCK’N ROLL Bons Estudos para todos!!! Bárbara

10 comentários sobre ““É proibido proibir”, os festivais de música durante a Ditadura Militar

  1. Muito bom o conteúdo disponível neste site. Me apaixonei por tudo aqui, continue escrevendo pois as aulas e o apoio dos slides contribuem para aprendermos.

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