Charge sobre o voto de cabresto

O voto de cabresto, um capítulo sombrio da história da cidadania brasileira.

Em ano de eleições, sempre vem à tona a questão da cidadania na sociedade brasileira. No Brasil difundiu-se a concepção de cidadania essencialmente ligada à questão do voto. Daí a recorrência de questões do ENEM relativas a esse tópico. Portanto, vamos discutir neste breve post a seguinte questão: afinal, o que foi o tal “voto de cabresto”?

Cabresto, para quem não sabe, é uma correia que tem uma extremidade armada especialmente para se firmar na cabeça do animal e que serve para amarrá-lo ou dirigi-lo. Às vezes, uma imagem vale mais por mil palavras:

Um cabresto…

A metáfora do cabresto é excelente para denotar a manipulação desregrada das eleições durante a Primeira República (1889-1930), através de métodos como compra de votos, abuso de autoridade, ou mesmo a utilização da máquina pública.

Devemos entender o “voto de cabresto” de acordo com seu contexto histórico e político mais amplo que possibilitou o seu surgimento. É importante lembrar que ele se constituía como um dos mecanismos do coronelismo. Em outras palavras, o “voto de cabresto” era utilizado pelos grandes fazendeiros (os coronéis) que controlavam uma massa de dependentes, para fazer com que estes últimos votassem em quem os primeiros indicassem. Dessa forma, o poder instituído tendia a se manter para sempre, pois era quase impossível alguém que não fosse indicado pelos coronéis vencer a disputa.

Outros pontos precisam ser ressaltados. Naquele tempo, o voto era aberto (não secreto), o que facilitava muito o controle sobre os eleitores, já que os capangas do coronel saberiam facilmente em quem cada pessoa votava. Paralelamente, havia uma série de práticas que violavam as eleições no país, como a compra de votos, votos fantasmas, fraudes e utilização da violência.

Além disso, vale lembrar que o coronelismo estava associado à chamada política dos governadores, uma troca de favores entre o presidente e os governadores dos estados para a manutenção da ordem política, por meio do apoio incondicional do governo central às lideranças estaduais, que em troca garantiam, através do coronelismo, a eleição de candidatos pró-governo na Assembleia Legislativa, de forma que não havia espaço para a oposição em nenhuma instância política.

Charge sobre o voto de cabresto

Desse modo, pode-se dizer que o exercício da cidadania durante a Primeira República estava bastante comprometido como o “voto de cabresto”. Mas vale lembrar também que ela não se reduzia a isso, pois tal prática era fruto de uma ordem política mais ampla que envolvia todas as esferas do poder republicano. É somente nessa perspectiva mais panorâmica que podemos compreender esse capítulo sombrio da nossa história republicana.

Um comentário sobre “O voto de cabresto, um capítulo sombrio da história da cidadania brasileira.

  1. Olá Bárbara. Bem legal o texto. É uma pena que essa prática ainda se repetir nos dia de hoje através do medo que assola uma população carente que se vê no risco de perder a Bolsa-família, Auxílio-gás entre outros programas sociais. Ou seja, sai os coronéis e entra os engravatados fazendo pressão psicológica e semeando o medo, trabalhando com as necessidades básicas de uma maioria muito carente. Entretanto, fiquei um pouco mais esperançoso com os resultados das últimas eleições em todo o país, pelo fato de não ter mais a presença forte dos clássicos partidos que fazem o uso desse “coronelismo moderno”. Acho que posso concluir que a sociedade não está se deixando levar pelo velho discurso do medo como mencionei, dando atenção aos novos partidos e até mesmo aos novos candidatos. Aguardo novas publicações!:)

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