A participação de Renan Calheiros nos bastidores da eleição de 1989

A primeira eleição direta para presidente, após o fim da ditadura, deu o que falar. Muitos candidatos, polarização política, a candidatura de bandidos disfarçados, como o caso de Fernando Collor e ícones nacionais como Silvio Santos.

Na reta final do período pré-eleitoral surge um candidato jovem, bonito, com pouca tradição política, mas um grande apoio da mídia, o alagoano Fernando Collor de Mello. Seu partido era o obscuro PRN (Partido da Reconstrução Nacional) que reunia uma corja de políticos de conduta suspeita, cujo líder da bancada de deputados era ninguém menos que Renan Calheiros.

Renan Calheiros e Collor, grandes parceiros políticos na eleição de 1989

Mas as surpresas não pararam por aí. Outro partido que reunia figuras um tanto quanto suspeitas era o PMB ( Partido Municipalista Brasileiro), liderado por um político paulista chamado Armando Correa que, surpreendeu a todos pelo lançamento da candidatura de Silvio Santos à presidência, além da renúncia de sua própria candidatura. Tudo isso a menos de um mês da realização do primeiro turno.

A confusão foi geral. Uma eleição com mais de vinte candidatos, desde os “museus vivos”, velhos de guerra na política como Paulo Maluf, Mario Covas, Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, ao esquerdista Lula que ganhava cada vez mais a simpatia da população e aberrações como o iniciante Collor e o comunicador Silvio Santos, que possuía um poder de mobilização das massas absurdo por sua figura e exposição extrema na televisão.

Silvio estava limpo de manchas políticas e era ousado. O domingo era dele, seus programas começavam pela manhã e se estendiam até a madrugada. Conhecido como o homem do Baú da Felicidade, distribuía prêmios e chegava ao ponto de lançar dinheiro na plateia, prática que resiste em seus programas até hoje. Imaginem só como se comportaria o eleitorado das classes mais baixas frente à possibilidade de eleger um homem que lança dinheiro,  era a solução para o Brasil. Alguém teria de frear essa candidatura.

Propaganda eleitoral de Silvio Santos

Quem seria o responsável por esse feito? Ninguém menos que o atual líder do Senado, Renan Calheiros. As pesquisas mostravam que a candidatura de Silvio poderia tirar Collor do segundo turno e, para evitar tal situação, Calheiros iniciou uma grande ofensiva que transformava a campanha de Collor em um fenômeno midiático, no qual ele seria intitulado “O caçador de Marajás”, o homem que iria acabar com a corrupção, a começar pelos ataques abertos feitos a Sarney. Quem diria, mas em 2009 todos se reencontrariam na cena política como aliados. Mas esse é um papo para outro post.

Juntamente a essa guinada, Calheiros, liderou a campanha interna, mobilizando políticos brasileiros pela impugnação da candidatura de Silvio Santos. O PMB não tinha atendido as exigências legais para a obtenção do registro definitivo. Não bastando, a candidatura foi impugnada, pois Silvio exerceu, nos seis meses anteriores ao pleito, cargo ou função de direção, administração em empresas concessionárias de serviço público, no caso o SBT, além de sua exposição televisiva que comprometia a legitimidade da eleição. Sabemos que a justiça cumpriu seu papel, no entanto, infelizmente, as motivações que reuniram figurões da política, como Renan, contra Silvio Santos estavam ligados a interesses sujos e mesquinhos.

http://www.tse.jus.br/jurisprudencia/julgados-historicos/silvio-santos

A campanha  de Collor foi um fenômeno, sua beleza e desenvoltura aliada a uma campanha de marketing político, ainda não visto no Brasil, deu início a um dos períodos mais trágicos da política brasileira recente. E tudo isso aconteceu bem perto dos olhos do nosso Presidente do Senado.

Vergonha alheia da Claúdia Raia fazendo campanha para o Collor

Essa é apenas uma das várias histórias envolvendo essa personalidade política que guarda sombrias lembranças que os brasileiros não podem esquecer.

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6 comentários sobre “A participação de Renan Calheiros nos bastidores da eleição de 1989

  1. Muito bom professora Bárbara, minhas memórias de infância não me deu dimensão do Silvio Santos nessa eleição. Parabens, vou usar nas minhas aulas.

  2. Oi Barbará,
    Primeiramente gostaria de lhe parabenizar pelo blog e gostaria de dizer que pela primeira vez na vida eu estou conseguindo aprender história kkk você é uma ótima professora, continue assim.

  3. Bárbara, adorei!
    Como o Lula teve que lapidar sua imagem para chegar ao poder! Com aquela fala não se elegeria de jeito nenhum…
    É duro de admitir, mas o povo tem os governantes que merecem.

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